O momento de êxtase mistura-se com a saudade e o temor por um universo frio. Me surge a idéia: será esta terra uma célula de um grande corpo estrelar? Esta experiência nova e proibida excita minha libido-atividade. Tal termo sempre me vem como algo ruim, mas no momento melancólico que estou não sei definir se é do inferno ou dos céus que me vem, nem mesmo se os anteriores existem. Será nosso lar um lar exteriormente apropriado? Ou somos nós que estamos nos apropriando de algo alheio? Assim como as partículas, são as nossas crianças. Irônico, pois como posso pertencer algo que sou eu? Pertenço a mim então. Pertenço a todos e a um todo. Então, tal corpo celestial ou não, pode me ouvir agora? Então, tal corpo indefinido, me faça feliz. Se importuno você com minhas palavras, e elas lhe vem como um bem, as tome para si, só me faça feliz. Fico feliz apenas com minha infância inexistente, e infeliz quando ela tenta voltar me afastando dos falsos amadurecidos, indignado quando crianças armaduradas se vestem de terno e gravata iludindo assim os tiranos inglórios. Se estas linhas tortas, tão minhas, lhe importunam, peço que as tomem para si e me tome, pois eu sou eu. O meu segredo está aqui, em minha obra. O meu segredo pode não ser conveniente agora ou pra você. Talvez minhas palavras lhe importunem, mas em certos casos desejo que elas nem existam, pra ser comum, pra cultivar normalidade. Mas o comum não me pertence. Talvez nem ao meu suserano. Não gosto do meu estado atual, não me sinto, definitivamente, bem ao pensar que posso ser governado, porém esse vem para o bem comum. Mas o comum não me pertence. A ausência de sentimentos também não. Minto, no momento, sim. Tento buscar fases da historia em que me senti assim, mas isso é inédito e infelizmente não sei lidar, nem nunca soube me dar. Devo confessar que não me sinto bem ao me obrigar a ceder ao comum. Não me encaixo nisso nem isso deseja me encaixar, pois sou como uma estrutura firme que devido a mistura de areia da praia e cimento, acabo de desabar e alheio as leis da física arquitetar e, sobretudo, alheio as leis do pobre homem que construiu este lugar, não sei e nem consigo reconstruí-la. Alguém me construa! Pois me construir a você eu não consigo mais. Acabaram os cigarros.
