4.4.11

a herança

 O Espaço, numa noite fria de um verão do nono ciclo galáctico, deixou que um dos vaga-lumes bioluminescentes que trazia consigo, caísse em uma terra desconhecida. Como uma semente de uma forma de vida local, ele cresceu. Sempre sabendo que tal luz existente dentro de si não era comum àquele lugar. No porentre o seu amadurecimento, sentiu-se preso. Como nunca. O Espaço, seu pai, havia deixado essa terrível herança dentro dele. Precisava, de alguma maneira, fugir. E afugentar-se das árvores mortas que lhe rodeavam. Mas não conseguiu tal feito. E sua luz foi apagando-se, e apagando-se a cada dia.
 A maturidade chegou, e como todos os espectadores dessa história, ele sabia que, hoje, ela era inexistente. Entristeceu-se. Foi seguir com a vida regrada e limitada das madeiras decomponentes as quais chamava de irmãs.
 Então, um dia, ele passou a decompor-se também. Oh, triste fim para um triste ser espacial, que apenas queria mais e mais espaço de distância de seus fraternos birrentos e controladores.
 O pobre Vaga-lume havia sido posto em um frasco.
 E durante todos aqueles ciclos terrestres, o oxigênio alí contido, foi-se esgotando ao rebolar das marés, ventriculadas pelo único outro ser brilhante dalí, a Lua.
 Pois então; no dia de seu final infeliz, ele olhou para essa tal brilhosa e pode perceber, que mesmo naquele momento, ele havia brilhado. Olhou para o lado e viu sua prole que apenas luz cultivaria naquela terra abandonada pelo Espaço. E, no milésimo anterior de fechar seu visores, sorriu. Ato extremamente arbóreo, porém agora pertencente, também, a ele.

 E assim morreu.

 O que não sabia, o Vaga-lume, é que "morte" naquela triste terra era signo para viagem. E viagem longa e distante foi a que ele fez naqueles dias que sucederam. Viagem de volta ao seu querido pai.

 Nunca um vaga-lume consumira tanto espaço em tão pouca vida.