10.6.12

, não tô feliz

 Não é como se não soubesse. Mas é exatamente o contrário que me aflige; intriga. Uma faísca lançada num palheiro adormecido ainda gera calor, todos os dias têm dessas. Mas faísca venenosa, dessas com segundas intenções nada boas lançadas nas pornográficas entrelinhas, geram ainda mais chamas, incomodam os que eu acreditava ali jazirem.
 Não sei o que de errado na flama havia, há, pois os ratos estão se comportando atipicamente, autofagocitando-se. Na verdade sei, assim como sei que tal flama igualmente atípica atraiu espécies vizinhas. Dessas que gostam de aparecer. As que geram os falatórios que simplificam as ratazanas, sabe? Pois é, tríade mais tronxa até hoje não houve. Alguém vai ter que pular do celeiro, o equilíbrio está abalado; e eu sei que serão meus amados, e os recentes detestáveis, ratos. Uma pena; aqui é tão quente, mesmo que incerto, mas aconchegante. Mesmo que unilateral, mas seguro.

Te amo, Celeiro.

 Eu só queria que o mundo me amasse de volta, ou só você mesmo, dessa forma arbórea, fria e morta; morna e viva que é só sua. Tô precisando de um pouco do calor, que tanto emanei, de volta. Calor eunuco como eu, fraterno, que na ausência me faz querer chorar.

Alguém vai ter que pular do celeiro...