13.10.12

semipreciosa

É saciante a sensação independente de quando o peito vira pedra. Antes uma geleia doce, ingênua, genuína e crente. Agora pedra.
 Estava satisfeito com as almas puras que me rodeavam, adornando minha feia e sozinha vida de amores que não vieram. Descobri que elas eram amor. Me joguei.
 Mas a vida não é como nas propagandas de projetos do governo, é?
 O camaradismo abrangente foi deixado de lado pela assombração. Mas é claro! Como depositar confiança, doar-se inteiro, para espíritos? Se no fim das contas é isso o que eles fazem. Ficam no além, do lado dos seus semelhantes, e quando não sabem lidar com algum impasse vêm e lhe assombram com seus problemas, lhe drenam. Depois se vão, as vezes inclusive, levando junto os pães.
 Eu, de fato estava satisfeito.
 Ora, se não há pães, pra que diabos vou querer ser geleia? Se as almas me amam, pra que amarei mais alguém que não elas?
 Mas a vida não é assim, é?
 Elas não te amam amam mesmo. E sua pedra percebe isso. Ela deixa de ser gema e vira pedregulho - que é intermédio de geleia -.
 E você chora. Como antes. É questão de tempo para que a pseudoperfeição cruze a luz dos olhos seus e a geleia, enfim, volte.
 E você - como antes - vai chorar.

 Ser alma não pode ser a solução. Ignore a luz!