7.11.12

é de se comparar muda com árvore?


 Acabou. Eu me esforcei, joguei estrume pra salvar a terra, mas não adiantou. Morreu.
 Me culpei, perguntando se fora o que joguei que desandou tudo, mas me confortei. Se defequei foi com amor. E quando feito com amor não se pode existir culpa. O Amor em si já tem peso o suficiente em suas costas pra se permitir dividi-la. É paradoxal.
 Esse campo era tão belo! Flores tiravam o peso do ar, frutas das mais doces saciavam toda e qualquer necessidade. Mas aí, as árvores começaram a sumir. Não poderia te deixar sem sombra. Fixei, enterrei meus pés no chão e fiquei. Firme como nunca. Não por que queria sombra quando precisasse, mas pelo simples fato de estar ao seu lado me fazer bem. Não mais.
 Uma borboleta passou. E outra, e outra. Seus olhos felinos não se conteram. Era árvore de carne, não erva-de-gato. Nao sei se soprava pólen, acompanhava o sol ou fotosintetisava quando isso ocorreu. Mas ao tornar meus olhos à sombra você não estava mais lá. As outras plantas passaram a morrer.

 "O que está acontecendo?"

 Joguei sementes de esperança. Nao vingaram. Joguei sementes de esperança, as aguei. Como as aguei! Não vingaram. A terra morreu. O sol se pôs.
 Não queria sua sombra. Ao lhe guardar eu é quem recebia luz. Definitivamente não esperava por sua sombra. Mas agora ela é tudo o que restou por aqui.
 Hoje percebo que este solo nunca viveu. Estou partindo.