Vocês sabem, não há acostamento nessa estrada, só abismo.
O final dela é assim.
Mas existe um sol que não nos deixa ver aonde essa queda dá.
Um sol que encandeia até a mim.
Nos acostamentos também não se vê, é escuro.
É uma estrada cruel, te empurra pro abismo.
Por isso muitos dalí pulam.
Nem amigos, nem esperança, nem muro.
Talvez tenha chegado a hora de encarar o mundo como é:
Vazio.
Que a qualquer momento posso deixar ou ser deixado pra trás.
Que a qualquer hora morrerei de frio.
Isso não me agrada,
se aproxima da Morte quem apressa o passo nessa estrada.
Encara, teme a Morte
quem suas placas passa, desprezadas.
Deixe o abismo onde está,
A vida fica diferente.
Logo tudo vai passar,
E você não mais descrente.
Mas é essa a vontade que dá
quando se está na traseira,
de encontra-lo o mais rápido possível.
Pular, fazer besteira.
Não quero desistir,
Mas viver tá sendo um porre.
É que o mundo te deixa sozinho,
Aí se corre. Aí se morre.