20.11.12

 Percebi que sempre teve a ver com o seu coração.
Eu vi, eu estava lá.
Quando ele floresceu,
e depois jogado do altar.

 Com todo carinho, apanhei.
Com meu amor cego, cuidei.
O sol aquecia minhas costas num sadismo que prefiro evitar.


 Quantas vezes minha menina me chamou
"Meu bebê, venha cá!"
Mas não pude, claro que não!
Afinal, eu estava lá.


 Tão cego disse pra não manter tal caminhar,
estava errado?
Se perdeu na mata maliciosa, negra.
Se errado, não sei. Só sei que lá.

 Cegou-se na floresta, mas conseguiu escapar.
Ouvindo águas de um Oasis, te guiei.
Estava lá, estava lá.

 "Não faça isso, criança!"
Relutou, minha mão cedeu.
"O amor é por alí!"
Malcriado, desobedeceu.

 Tentei segui-lo, mas caí em uma armadilha pra lobos.
Gritei por você,
chorei feito você, criança.

 Escalando, quebrei minhas unhas.
Enlouquecido, perdi meus cabelos.
Onde estava o seu coração?
"Oh, meu Deus! Como fui perde-lo?"

Um pagodeiro em seu martírio gritaria:
"O que fiz pra merecer?"
E você, com a vergonha de mil, diria:
"Tudo você fez. Só que lá nunca estive por você"