16.1.13

Um meio-ciclo após o meio-fim

 A possibilidade é o que machuca. Uma tragédia é tão mais bela e significativa. Está morto, lide com isso. Fim.

 Mas a possibilidade...

  A tentação d'uma rebusca. D'um retorno. Aí se dá conta de que era podre, que os fungos que seus pulmões adquiriram pelo tempo que passou no recinto ainda lhe afligem.
 Não existe mal intencional em mim, já mencionei minha coroa de espinhos. Ando pesadamente pelas calçadas que contornam meus neurônios e finjo participar do mundo lá fora. Ando aberto. Orgulho eu desconheço. A única vez - uma - que o orgulho me pegou significou minha meia-morte. Como já disse, os fungos ainda residem em mim, me recupero. Etílicos momentos largam endorfina a eles, falsas borboletas pairam no estomago lotado, emulando alegria. Aí me lembro da perda. E as calçadas parecem ruas e as ruas me indicam placas de contra-mão. "Volte!" "Volte!" "Volta." Um GPS falho projetado por e para mim, bem como não compreendido. Um túnel aparece, não pra me sentir infinito, mas pra me lembrar de quão escura é a vida. Pra me assustar, testar, e me fazer querer voltar atrás. Ergo com esforço a cabeça. Mais um gole e o frescor no couro-cabeludo. Está tudo bem.

 Mas o coração; a possibilidade.

 Por que os livros não são reais ou o suficiente?