As vezes me pergunto quem
secretamente me odeia quando deveria, na verdade, estar me questionando quem
assim me ama. Mas os pensamentos, bem como os sonhos tendem à realidade ou às
mentiras que de tão repetidas parecem reais. Suicídio é praqueles que levam ao
pé da letra a mínima de que os incomodados se mudam.
Essa entidade que venho flertando
há tanto tempo sempre me pareceu intocável e para o meu bem e praqueles que me
confidenciam, confiando, espero que permaneça assim. Mas você sabe como é
difícil andar por essas ruas. Você sabe dos assaltos de confiança e homicídios
de felicidade que nelas ocorre. Amor é o bairro nobre, longe de nós;
periféricos. Plenitude se esconde na ilha mais distante da costa leste.
Vez por
outra, ouvimos esse ecoar de baixa qualidade, vislumbramos a vida ideal pela
voz energética dos seres sobrehumanos que por lá permeiam. Alguns dizem que
estão conosco, outros ostentam seus molares brancos. Tem até os que se
compadecem ao ponto de cantar as mágoas do primeiro mundo. Mas nós sabemos que
aqui no morro a vida é outra. A mulata que samba é chamada de puta; o
porta-bandeira, viado. A caipirinha
amarga mais do que a cachaça pura e, mesmo assim, não olhamos pro lado.
Por
respeito imposto à mãe preta, nos enclausuramos. Por medo do Pai, julgamos uns
aos outros e continuamos a olhar a telinha, nos afogando em pixels modestos e
cores lavadas. Tape seus ouvidos; enxergue preto e branco. É suficiente pra ler
essa mensagem, transformar o lamaçal da chuva em piscina de cinco estrelas e
criarmos um novo sentimento pleno que não se chame felicidade, mas um nome tão
típico que eles vão se coçar de seus Chateous querendo saber o que o gueto anda
fazendo com o dinheiro dos rolexes roubados. Não ame; sinta tudo o que seus
vizinhos tem para lhe dar; não tema, aproveite. Ora, não faça nada que essas
palavras contemplem com signos; viva. Do contrário eles vencerão e seu viver
sempre será menos do que o viver de quem toca piano ou come caviar.