15.9.13

sem nome

As vezes me pergunto quem secretamente me odeia quando deveria, na verdade, estar me questionando quem assim me ama. Mas os pensamentos, bem como os sonhos tendem à realidade ou às mentiras que de tão repetidas parecem reais. Suicídio é praqueles que levam ao pé da letra a mínima de que os incomodados se mudam.
Essa entidade que venho flertando há tanto tempo sempre me pareceu intocável e para o meu bem e praqueles que me confidenciam, confiando, espero que permaneça assim. Mas você sabe como é difícil andar por essas ruas. Você sabe dos assaltos de confiança e homicídios de felicidade que nelas ocorre. Amor é o bairro nobre, longe de nós; periféricos. Plenitude se esconde na ilha mais distante da costa leste.
                Vez por outra, ouvimos esse ecoar de baixa qualidade, vislumbramos a vida ideal pela voz energética dos seres sobrehumanos que por lá permeiam. Alguns dizem que estão conosco, outros ostentam seus molares brancos. Tem até os que se compadecem ao ponto de cantar as mágoas do primeiro mundo. Mas nós sabemos que aqui no morro a vida é outra. A mulata que samba é chamada de puta; o porta-bandeira, viado. A caipirinha amarga mais do que a cachaça pura e, mesmo assim, não olhamos pro lado.

                Por respeito imposto à mãe preta, nos enclausuramos. Por medo do Pai, julgamos uns aos outros e continuamos a olhar a telinha, nos afogando em pixels modestos e cores lavadas. Tape seus ouvidos; enxergue preto e branco. É suficiente pra ler essa mensagem, transformar o lamaçal da chuva em piscina de cinco estrelas e criarmos um novo sentimento pleno que não se chame felicidade, mas um nome tão típico que eles vão se coçar de seus Chateous querendo saber o que o gueto anda fazendo com o dinheiro dos rolexes roubados. Não ame; sinta tudo o que seus vizinhos tem para lhe dar; não tema, aproveite. Ora, não faça nada que essas palavras contemplem com signos; viva. Do contrário eles vencerão e seu viver sempre será menos do que o viver de quem toca piano ou come caviar.