Eu vejo dentes de urubus
que sorriem. No espelho, minha boca banguela. Me esquento com seus quentes corações
que rodeiam, mas é quentura de meio-dia, não de tarde amarela.
Eu os vejo
dilacerando a carne de inocentes pouco depois de eu tê-los alimentado. Por que
suas putrefações pesam em meu estômago? Por que me sinto o assassino? Por que
me sinto perturbado?
Eu vejo urubus com
asas, veja só, eles voam! Mereço apenas os restos, não a doce doce broa.
Engulo meu pão e água; eu vejo urubus a ceiar. Ando e choro; sou apenas humano; nunca hei de sorrir ou voar.