2.7.14

eu não sou uma má pessoa

 Eu vejo dentes de urubus que sorriem. No espelho, minha boca banguela. Me esquento com seus quentes corações que rodeiam, mas é quentura de meio-dia, não de tarde amarela.

 Eu os vejo dilacerando a carne de inocentes pouco depois de eu tê-los alimentado. Por que suas putrefações pesam em meu estômago? Por que me sinto o assassino? Por que me sinto perturbado?

 Eu vejo urubus com asas, veja só, eles voam! Mereço apenas os restos, não a doce doce broa.


 Engulo meu pão e água; eu vejo urubus a ceiar. Ando e choro; sou apenas humano; nunca hei de sorrir ou voar.