19.12.14

os danosos, os chatos e eu.

Meu despertar não foi completo, meus pensamentos contrários à máquina ainda se parecem muito com os dos meus companheiros de revolução. Minha voz foi perdida pra que eu possa reencontra-la, pra que essa nova busca seja ainda mais quente na combustão. A dormência não combina com meu ser, mas vivo bem e sempre irei invejar tal primavera. Preciso explodir o meu crânio de ideias inéditas, tornar-me o messias da vindoura era. Engravatados vestem máscaras ultrajantes e roupas maltrapilhas:
 "Viva a revolução!
 Todo mundo pode tudo!
 ps: menos minha futura filha."
Os engravatados que vestem gravatas andam ouvindo vozes que não a do seu umbigo. Opiniões contrárias às suas e de seus ancestrais os fazem chorar ao faltar tapinhas de apoio no ombro enquanto incendeiam mendigos. Tamanho choque! Humanos de pele escura clareiam o megaespelho do universo. Eles existem e o motim pra apagar o mendigo não é considerado "racismo inverso".
Em comum aos dois lados vem o temor de um futuro câncer. Dão pausa no gozo de ser, por medo da morte que vem adiante.
 Quebrado e refinado. Entediado e instigante.
 Posso morrer amanhã, mas sem repetir o que meu pai disse antes.