25.2.15

natureza viva

Essa sensação que necessita do calor da minha mão apertando a sua, dos meus passos pra guiar seu caminho, apertou minha mão com mais força. Apertou no ponto de pressão que faz vibrar minhas veias e acerta minha semipreciosa pedra pulsante.

  Mas meu cérebro anda diferente. Com menos medo de soar pedante, negou a entrada dessa nota de blues no meu peito de poeta fracassado (Que ele não me escute, sou uma voz da nova geração em seu ver). A canção, então, dissipa-se em meus pulmões azuis escuro, escapando por minhas cordas vocais mal-usadas, tão calejadas por minhas cantorias de decibéis saturados. A dor do blues adentrando o meu corpo converteu-se em alegria pelo som da música, ao ser negada sua entrada em meu coração.

 Vejo a construção de mim se efetivar como construção; minhas ideias e sentimentos não flutuam soltos ao vento como os anos podem fazer parecer. Os tijolos com areia da praia, aos poucos estão sendo substituídos por concreto.

 Situações tóxicas devem ser evitadas, mas nem sempre a toxina está no outro. E ela estar em você não é motivo de martírio. Nada é, quando você relembra seus dias de sol e noites de fermentadas uvas.

Aperto sua mão de volta e juntos dancemos na chuva.