Meu bem estar é cultivado em vastos campos dos mais belos e cheirosos vegetais. Petúnias, lírios, girassóis... Os feudos vizinhos, eu e meu ego, rego. Mas minha plantação aguamos a sós.
Exceto na seca. Nela a umidade do ar e do meu ducto lacrimal concentra-se nos olhos de meus trabalhadores escravos, tão despreparados quanto. Vez por outra vêm me visitar de seus - maiores, menores, mais belos ou obscuros - casarões e campos.
O terceiro cavaleiro chega praguejando minhas flores; viro as costas e fico parado. Do meu trono dói mais beliscão de amigo que a silhueta debatendo-se na penumbra da morte do meu gado.
Eu sou egoísta e fraco.
Posso encher um poço com lágrimas e no outro dia, ao abrir os olhos quando imerso, drenar a água de uma lagoa. De minha corte já sou majestade; do meu reinado, traidor da coroa.