1.2.16

as rosas não calam

Sim, era pra você. Como tudo é pra você. Da hora que acordo às minhas induções de sonho lúcido perto de adormecer. Você é um virus que me abateu e não sei o porquê da surpresa ao me deparar com uma doença carregando intenções. Afinal, sou eu que to sempre falando como tudo é consciência. Acho que o pior de tudo é o martírio de perceber que me deixei lhe atacar quando você tinha várias cartas viradas pra baixo no campo. Só não imaginava que todas seriam armadilhas. Você não precisou usar de nenhum dos monstros, primeiro por que não sacrifica semelhantes, segundo por que não precisava. De tanto desamor recebido na vida, eu sempre serei o primeiro a me boicotar. Era o mesmo vício no mesmo jogo de sempre, só que com um oponente melhor articulado. O virar da lâmina de papel me fez quase gozar ao ver sua cor. É que era rosa como sua sombra, como a minha, e eu venero tudo que envolva as rosas: a mudez, a cor e os espinhos.