7.3.17
21.2.17
16.1.17
queria desaprender a nadar
eu nao sei o q eu quero falar, so sei q faz tempo q nao falo nada. porem, faz ainda mais q eu sinto esse desprezo alheio invadindo td o q aparento ser. cansado das pequenices q levam alguns a matar as lendias das cabeças dos outros com as solas de suas botas. da inconsciencia generalizada q deixam almas cada vez mais proximas ao submundo, por nao notarem a correnteza na qual se encontram. me isolo das barbáries extremas pra não passar por estresses maiores e acabo por me notar preso em picuinhas rasas, escolhendo lados e me decepcionando ao perceber q ninguém esta do meu. quantas vezes precisarei me lembrar de que estou só e a não esperar nada de ninguém? no mínimo metade das vezes q precisarei lembrar que se estou só é pq tb sou o outro. só há a própria existência e os vazios q ela preenche qnd solicitada, ao se observar. se me canso dum fluxo aquático, nadando o suficiente ao contrário, criarei um q me agrade. mas qual o juízo aguenta tantos anos de nado contra-corrente? é tao mais fácil boiar.
1.5.16
Coágulo
A minha garganta fechou. Um pedacinho de mim recebeu um pouquinho mais de ração que os outros e foi crescendo dentro do meu pescoço. Quando foi engordando, todo aquele acúmulo de energia parecia pressionar minhas cordas vocais, eu só queria cantar pra que o mundo ouvisse aquela nota que por tanto tempo eu achei não conseguir alcançar. Treinei no chuveiro com o shampoo, na frente do espelho com o controle da TV e na cama com minha amada mão. Mãos que sempre meto ao invés dos pés, por isso dessa vez decidi por deixá-los parados e nada fazer, se não assistir àquele anexo meu crescer e tomar conta até que chegasse a sua forma mais madura, até que estivesse pressionando todas as cordas que ele possivelmente pressionaria, pra então soltar a voz. Imaginei que até lá a plateia já teria sido conquistada pelo meu carisma e taria preparada pra ouvir o canto mais lindo já soprado por pulmões respirantes, mas não foi isso que aconteceu. A plateia não espera até o final pra reagir, ela é uma plateia. Quando eu tinha deixado de ser plateia de mim? O quão importante poderia ser só uma parte do ser? A essa altura já um personagem com vida própria, um pedaço que nem me pertencia.
Quando esqueci de mim a minha garganta fechou. A enorme introdução da música mais uma vez acabou. O DJ já tava ficando puto de ter repeti-la pelo vigésimo ano consecutivo. Foi quando eu percebi que desde que subi no palco, deixei minha atenção fraca em qualquer outro lugar, pra que não focasse na responsabilidade diante de mim. Afinal, quem ia atingir a nota era eu. Era eu que ia cantar, porra! Foi quando depois de duas décadas finalmente engoli o mini me e, longe das que tinha ensaiado a esmo, a seguinte brega cantoria melancólica e abafada escapou aos meus lábios: Eu sou completamente apaixonado por você.
É com essa cantoria que eu nasci e é com ela que eu morro. Eu tenho que amar a minha voz, pois é ela eu escuto antes de dormir. O mini me é bem difícil de digerir, mas pelo menos agora minha garganta e o meu amor fluem livres, como eles nasceram pra ser.
1.2.16
as rosas não calam
Sim, era pra você. Como tudo é pra você. Da hora que acordo às minhas induções de sonho lúcido perto de adormecer. Você é um virus que me abateu e não sei o porquê da surpresa ao me deparar com uma doença carregando intenções. Afinal, sou eu que to sempre falando como tudo é consciência. Acho que o pior de tudo é o martírio de perceber que me deixei lhe atacar quando você tinha várias cartas viradas pra baixo no campo. Só não imaginava que todas seriam armadilhas. Você não precisou usar de nenhum dos monstros, primeiro por que não sacrifica semelhantes, segundo por que não precisava. De tanto desamor recebido na vida, eu sempre serei o primeiro a me boicotar. Era o mesmo vício no mesmo jogo de sempre, só que com um oponente melhor articulado. O virar da lâmina de papel me fez quase gozar ao ver sua cor. É que era rosa como sua sombra, como a minha, e eu venero tudo que envolva as rosas: a mudez, a cor e os espinhos.
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